sábado, 12 de março de 2011

Embarcações maranhenses do início do século XX

Esta foto de Gaudêncio Cunha, feita no início do século passado, mostra três tipos de embarcações maranhenses, certamente não muito diferentes das que Antonino Guimarães possuía. É interessante notar que elas servem a finalidades diversas. A menor delas, à direita, parece transportar uma família em passeio; duas mulheres, paramentadas com chapéus e sombrinhas e seus acompanhantes  engalanados. A embarcação da esquerda, um cutter, está repleta de homens com aparência de trabalhadores, estivadores ou marinheiros, descalços, vestidos com simplicidade e usando grandes chapéus que os protegem do sol abrasador. Próximo da embarcação maior, ao fundo, percebem-se dois grandes montes de madeira cuidadosamente empilhada, prestes a ser embarcada e transportada. Essa madeira, provavelmente, seria empregada como lenha ou, talvez, como estaca para cercas, o que demonstraria o uso parcelar de terras. Um outro elemento presente na imagem é a grua, ladeada por um homem, sobre a estrutura de pedra ao lado do cutter, um equipamento precioso para os trabalhos de carga e descarga. A imagem está na quarta capa do livro "Maranhão 1908 - Álbum Fotográfico de Gaudêncio Cunha", uma edição comemorativa dos cem anos da Academia Maranhense de Letras. Infelizmente, não há maiores informações a respeito dela, tornando-se difícil determinar em que localidade foi realizada.

Bibliografia

CUNHA, Gaudêncio. Maranhão 1908 - álbum fotográfico. São Luís: Edições AML, 2008. p. 104 (quarta capa) Modificada digitalmente: removido texto de Gonçalves Dias da parte superior central da imagem.

(Daniel Rincon Caires)

domingo, 6 de março de 2011

A frota de Antonino Guimarães

A lancha "Milton Belo", no cais do Jacaré
       Em fevereiro de 1920, Antonino da Silva Guimarães, patriarca da família que ocupava o sobrado onde fica o Museu Casa Histórica de Alcântara, emprestou uma grande soma -12 contos de réis -  ao capitão e carpinteiro Manoel da Vera Cruz  Silva Ribeiro, tomando como garantias:

Uma casa de azulejos pedra e cal na rua de Baixo,  uma salina com depósito no lugar Lagoa, posse de terra Ipixuna, três terrenos na calçada do Jacaré, dois terrenos à rua do Norte, um cutter denominado “Filha do Norte”, com 14m de comprimento, 3,45m de bocca, e 1,30m de Pontal, com 15 toneladas de capacidade, um cutter denominado “Ivone Rosa Providência” com 12,10m de comprimento, 3,50m de bocca e 1,20m de pontal, com 11 toneladas de capacidade,  um cutter denominado “Resedá” com 5,80m de comprimento e 7 toneladas de capacidade, uma Canoa denominada “Lanchão” com 7,92 m e 1,3 tonelada de capacidade, uma canoa denominada “1º de maio” com 6,8m de comprimento e 2 toneladas  de capacidade, um burro de carga de cor castanha e mais 54.283kg de sal em depósito no Bacanga.

A casa e a salina dadas em garantia descritas acima passaram à propriedade de Antonino, o que permite supor que Manoel da Vera Cruz Ribeiro não conseguiu pagar sua dívida e viu a hipoteca ser executada, perdendo os bens dados em garantia, inclusive as embarcações. Dessa forma, Antonino consolidava seus negócios, tornando-se proprietário de uma expressiva frota cuja “estrela” era o cutter “Filha do Norte”. Jazem, na reserva técnica do Museu Casa Histórica de Alcântara, os restos mortais desta nau, reduzida a dois grandes moitões.  
A cidade de Alcântara, ainda hoje, depende muito da navegação para se conectar com a região, especialmente com a capital São Luís, distante cerca 22 km, do outro lado da Baía de São Marcos. Os caminhos terrestres são escassos, e no passado serviam apenas para ligar a zona rural à sede. Dessa maneira, a posse de embarcações era requisito fundamental para a realização de transações comerciais. Os registros reproduzidos acima, encontrados nos livros do Cartório de Alcântara, apontam os investimentos de Antonino na formação de um sistema de transportes que permitisse a circulação de mercadorias de seus comércios e suas fazendas para os portos da região.


(Daniel Rincon Caires)

terça-feira, 1 de março de 2011

Solidariedade



Hélder, Liz e a diretora Karina organizam o material para envio,
 na sala de recepção do MCHA 
 
 MCHA encaminhou para a Cruz Vermelha de São Luís os alimentos, roupas e calçados doados pelos moradores e comerciantes de Alcântara para atender às vítimas das chuvas do Rio de Janeiro. A comunidade alcantarense se solidarizou com os atingidos pelas enchentes, atendendo ao apelo do Museu. Quatro grandes caixas contendo o resultado da campanha foram encaminhadas para a capital do Estado, de onde devem seguir para o Rio.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Inventário Museológico

Uma revisão geral do inventário dos bens móveis do Museu Casa Histórica de Alcântara está em execução.
O inventário existente no MCHA, realizado no ano de 2003 sob a coordenação do IPHAN, foi produzido com o uso de métodos e termos que divergem dos, normalmente, adotados no âmbito museológico. Desta forma, aliada à necessidade de inclusão de dezenas de peças, que ainda não passaram pelo processo de inventariamento, tornou-se imperativo o trabalho de revisar completamente o atual inventário, com a aplicação de ajustes e de modificações pertinentes, além do empreendimento de correções e adoção de estudos dirigidos, no intuito de identificar alguns objetos e agrupar as peças dentro de um esquema sistemático de classificação fundamentado pelo uso do “Tesauro para Bens Móveis e Integrados”.
Em uma etapa seqüencial do trabalho estão previstas a elaboração e o preenchimento de fichas catalográficas e o investimento exaustivo em pesquisas, não somente relacionadas à historicidade específica dos próprios objetos mas também aos seus contextos de produção e de suas respectivas correlações históricas.
A amplificação do conhecimento sobre o acervo e a melhoria do sistema organizacional de documentação museológica implicará direta e decisivamente (a curto e médio prazo) na qualidade da exposição do Museu, na amplificação da capacidade de exploração dos objetos do acervo e na melhoria da comunicação estabelecida com o público.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Tesauro para bens móveis e integrados. – Rio de Janeiro: IPHAN, 2006.
Texto: Hélder Luiz Bello de Mello, museólogo do MCHA

Visitantes insólitos

Nossa Casa tem recebido visitantes de várias espécies. A exuberante natureza local, que cerca a cidade de todos os lados, abriga criaturas que às vezes resolvem dar seus passeios nos domínios humanos... E o Museu parece que tem feito parte de seus roteiros.  Um besouro de quase doze centímetros, dotado de uma rígida carapaça com variações da cor marrom, foi encontrado preso num dos filtros de água do início do século XX, item exposto na sala de jantar da Casa. Junto com ele, ou melhor, ela, haviam dezenas de pequenos ovos brancos, depositados no fundo da peça.

Numa pesquisa na internet, descobrimos que ele pertence à espécie Macrodontia cervicornis, que vive na Amazônia, espalhando-se por Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Guianas e Brasil. O besouro chega a medir 17 cm e está na lista internacional de animais ameaçados de extinção, elaborada pela União Mundial para a Natureza, a IUCN (http://www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/12591/0) . Sites da internet vendem espécimes deste besouro, como se pode ver no endereço "Insect suply" (http://www.insect-supply.eu/product/id/525,macrodontia-cervicornis-158mm), onde alcança o preço de 120 euros.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ruínas da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis

A Ordem dos Franciscanos já estava presente em Alcântara desde o século XVIII, mas até então asilava-se na Igreja de Santa Quitéria, não possuindo templo próprio. Data de 1811 o despacho que concedeu os recursos aos franciscanos para construir o templo. Sobre a construção em si não há certeza de seu término, segundo parte dos historiadores. Erguida em espessas paredes de pedra e cal (aproximadamente 1,30m), a planta baixa da ruína existente apresenta estrutura de fachada ladeada por dois campanários simétricos, arco cruzeiro monumental e capela-mor de igual envergadura, revelando a pretensão de construção de um grande templo. Na fachada principal, sobre o vão de acesso, encontra-se um frontão de cantaria, com as armas da Ordem trabalhadas em relevo, contendo dois braços entrecruzados – um de Cristo, outro de São Francisco – centrados por uma cruz, simbolizando a Irmandade dos Franciscanos.
Esta ruína deixa exposta informações interessantes sobre os métodos construtivos do século XIX, especialmente as diversas técnicas de abertura e suporte de vão através do uso de arcos portantes. Diversos são os tipos encontrados, tais como o arco pleno, no arco cruzeiro, a verga reta simples, usada em nicho lateral na muralha esquerda da nave, e o impressionante arco abatido composto, visto na parte interna da muralha da fachada, sobre a porta principal. Neste último o aparelhamento intertravado dos tijolos cozidos faz com que a estrutura composta por centenas de peças funcione como uma única e espessa viga, suportando a pesada alvenaria que acima se desenvolveria, permitindo a abertura de vão generoso na fachada principal.
Texto de Ivo Matos Barreto Júnior, arquiteto e urbanista.
Fonte do texto: São Luís Ilha do Maranhão e Alcântara: guia de arquitetura e paisagem. Sevilla: Consejería de Obras Públicas y Transportes, Dirección General de Arquitectura y Vivienda, 2008. p. 376.

Foto: Acervo Fotográfico do Museu Casa Histórica de Alcântara
(DRC)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Apresentação de Projetos Pedagógicos


Os técnicos e a diretora do Museu Casa Histórica de Alcântara participaram hoje do planejamento do IFMA (Instituto Federal do Maranhão), no câmpus local. A educadora da Casa, Liz Renata, apresentou o portfólio de atividades educacionais do Museu aos professores da instituição, buscando desenvolver parcerias pedagógicas.